Manual de Sobrevivência para uma Quarentena mais Resiliente

Manual de Sobrevivência para uma Quarentena mais Resiliente

“Tudo pode ser tirado a uma pessoa, excepto uma coisa: a liberdade de escolher a sua atitude em qualquer circunstância de vida” – Viktor Frankl

 

Vivemos tempos de desafios sem paralelo. Para encontrar uma pandemia semelhante temos que recuar cerca de cem anos, quando o mundo enfrentou a Gripe Espanhola.

Não há dúvida que o ano de 2020 vai ficar marcado na história de todos, e que o nome Covid-19, ou Coronavírus, não vai ser esquecido. Este vírus ameaça a saúde física de forma evidente e indiscutível. Não esqueçamos, contudo, que a saúde mental está, também ela, em situação de vulnerabilidade especial.

 

Esta é uma ameaça global, que veio mostrar que há um vírus invisível, que nos olha como iguais, que começa por escolher os que, pelo avançar da idade, são mais frágeis, e que, para além dos cuidados preventivos, escapa totalmente ao nosso controlo. O Covid-19 apareceu para travar uma guerra desigual.

 

 

Manual de Sobrevivência para uma Quarentena mais Resiliente The Minimal Magazine

 

 

Todos aprendemos que temos que adoptar redobrados cuidados de higiene e de distanciamento do outro pelo risco de contágio, o que nos alertou para a necessidade de proteger a saúde de quem nos rodeia, e, não apenas, a nossa.

 

 

 

Esta é já uma sensibilização relevante

se atendermos a que, nos dias que correm,

muitos tendem a desvalorizar a forma como

tocam o mundo do outro.

 

 

Mas, se a ameaça à saúde física é tão real e tangível, mensurável em números que chocam e escalam de modo assustador à escala global, também o nosso mundo interno está especialmente frágil.

Se atendermos à definição de saúde, pela Organização Mundial de Saúde, como «um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade» (1947), perceberemos rapidamente que o Covid-19 não nos ameaça só fisicamente e que não existem grupos de risco evidentes.

 

Não só os mais velhos são especialmente vulneráveis, todos nós estamos em risco. E, está nas mãos de cada um, cuidar de si e dos que lhe estão próximos.

Assim, e dado que a realidade nos pede que sejamos, e estejamos, especialmente resilientes, porque o contexto de crise extraordinária que atravessamos exige cuidados, também eles, extraordinários, ficam algumas sugestões de como podemos cuidar da nossa saúde mental nos tempos desafiantes que atravessamos.

 

 

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1  |  Gratidão

Tudo aquilo por que estamos a passar é iminentemente negativo? Não há qualquer dúvida.

Mas, existem, com certeza, muitos motivos pelos quais se sente grato neste momento. A cada dia, pense neles.

 

Se lhe fizer sentido, escreva um “Diário da Gratidão”, no qual pode escrever uma coisa pela qual se sente verdadeiramente agradecido naquele dia.

 

 

 

2  |  Aceitação e Compaixão

Nunca, como antes, o mundo apelou tanto à capacidade de sermos tolerantes, compreensivos, compassivos e aceitantes connosco próprios e com os demais.

Vivemos tempos de apreensão colectiva, é natural que vivenciemos verdadeiros turbilhões emocionais, que sintamos, até, “coisas” que nunca antes tínhamos sentido. Acolhamos, e aceitemos, o que vem.

 

Mesmo o que dói, o que custa, o que dá medo. E, aceitemos também, que o outro pode sentir de modos diferentes, e que estes modos não são menos válidos, nem menos verdadeiros, por serem distintos dos nossos.

Aceitemos, igualmente, a realidade da ameaça que enfrentamos e que nos presenteia com imprevisibilidade, incerteza, impotência, tensão, e medo, muito medo. Se é agradável? Não, mas o que sentimos é a reacção normal à adversidade.

 

É natural que sintamos medo de muitas coisas diferentes, medo de ficar doentes, medo de que aqueles de quem gostamos adoeçam, medo de os perder; preocupação com o presente, angústia e desesperança face ao que se segue ao dia de hoje; frustração por estarmos confinados e limitados, sem poder fazer o que queremos/precisamos; cansaço porque temos que nos dividir entre múltiplas tarefas – do trabalho, de casa, dos filhos…

 

 

E devemos aceitar e dar espaço para que todas as emoções existam,

acolhendo-as, partilhando-as, mas não nos tornando seus reféns.

 

 

Posso sentir-me angustiado/a, inseguro/a, triste, com medo, mas não tenho que permitir que os receios me paralisem e me impeçam de fazer algo útil para lidar com eles, de entre aquilo que está ao meu alcance.

 

 

3  |  Controlo

Na medida certa, todos precisamos de sentir que detemos algum controlo sobre o mundo e os acontecimentos.

Pense “O que é que eu posso fazer?”. Se existe um sem número de incógnitas, e outras tantas incertezas e imprevisibilidades, sobre as quais não conseguimos ter – mesmo! – qualquer controlo – e não é sequer útil rebelarmo-nos contra essa realidade, existem outras tantas outras variáveis, na nossa vida, sobre as quais podemos agir.

 

Neste âmbito, surge a importância de manter e cumprir rotinas, como os horários de dormir e das refeições. Se fizer sentido, podem ser introduzidas novas regras, a realidade familiar também é nova.

 

 

 

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4  |  Cuidado

Cuidemos de nós, e dos outros. Por entre tantas exigências quotidianas, é “fácil” que nos esqueçamos de olhar para nós e da importância que o auto-cuidado tem, nas suas diferentes esferas – a actividade física, a alimentação, o sono, o mundo emocional.

Mesmo que se repita, a cada dia, a estadia em casa, isso não invalida que cuide da sua aparência, continua a ser fundamental que goste de olhar para si.

 

Por mais exíguo que o espaço disponível possa ser, é importante manter-se activo. Aproveite todos os recursos que estão disponíveis online – e são muitos por estes dias – e mantenha o exercício físico ou introduza-o.

Tenha também atenção ao que come, deite-se e acorde a horas certas. Vê como existe tanto que, ao contrário do aparecimento e dispersão avassaladora do Covid-19, pode controlar?

 

 

 

5  |  Relações

Estamos obrigados ao isolamento, mas não temos que estar sós. Isolamento não tem que ser sinónimo de desligamento.

Mantenha-se ligado aos outros, cultive e alimente as suas relações próximas. Se há algo que as novas tecnologias nos trouxeram de positivo é, sem dúvida, a possibilidade de mitigar distâncias.

 

Façamos, então, uso delas para nos sentirmos perto de quem nos faz bem e a quem fazemos bem, para ajudar quem de nós precisa e pedir ajuda se disso sentirmos necessidade. Sim, pode sentir necessidade de pedir ajuda e, mesmo, que este seja um tema difícil para si, deve pedi-la. Partilhe o que está a sentir com os seus amigos, família, colegas de trabalho.

 

 

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6  |  Limites

Muitas pessoas encontram-se em regime de tele-trabalho, o que pode dificultar a imposição de limites entre a actividade profissional e a vida pessoal e familiar.

É fundamental, e estruturante – além de estar sob o nosso controlo – definir e cumprir limites.

 

Tente cumprir um horário de “saída de trabalho”, incluindo pausas para café, ou para ir até à janela apanhar ar, tal e qual como se estivesse a trabalhar fora de casa.

Igualmente importante é equilibrar a actividade profissional com actividades prazerosas, que permitam estar em contacto consigo próprio e com os que vivem consigo.

 

Outro limite que é fundamental impor é o da exposição à informação e preocupação. Não nos traz nada de positivo passar o dia a ser inundados por notícias (umas verdadeiras, outras mais questionáveis), que nos chegam pelos diferentes canais – televisão, redes sociais, grupos do Whatsapp – e que podem alimentar funcionamentos mais preocupados e, mesmo, ansiosos.

“Agende” a sua preocupação, reservando uma parte do seu dia para ver o que se passa no mundo, no nosso país, e preocupar-se. Este pode ser um momento partilhado, em que expressa o que o atormenta e ouve, com empatia, o que preocupa os que estão perto de si.

No resto do dia, ocupe-se com outras coisas.

 

 

7  |  Prazer

Introduzir, ou manter, actividades promotoras de bem-estar, como a meditação e o mindfulness, pode fazer a diferença nos seus dias. Se nunca experimentou, aproveite agora.

Tem inúmeros sites, aplicações, vídeos no Youtube, a que pode recorrer. Pode fazê-lo com filhos, marido, mulher. Ou sozinho, e ser este o seu momento dedicado à individualidade.

 

 

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8  |  Criatividade

Quase transversal a todos os aspectos enunciados até agora, esta é uma competência que pode sair musculada depois do período de quarentena.

Novos desafios pedem novas soluções. Por isso, permita-se experimentar coisas novas, sair da sua zona de conforto pode ser verdadeiramente libertador quando se sente privado da liberdade que antes dava como garantida.

 

A aprendizagem de novos comportamentos aumenta a plasticidade cerebral e torna-nos mais capazes de nos adaptarmos às mudanças. E esta é, muito provavelmente, uma das principais aprendizagens que todos vamos fazendo.

Aquilo que dávamos como adquirido, a capacidade de nos mover, de viajar, de cancelar planos porque “amanhã” os podíamos retomar, podem agora ser-nos subitamente retirados. A todos. Ao mesmo tempo.

 

 

9  |  Esperança

A situação é assustadora. Em alguns países é terrível, devastadora. Mas é transitória.

É fundamental sentir que vamos superar esta enorme ameaça e manter vivos, e com saúde, os nossos objectivos e projectos. Se não os tiver, crie objectivos novos e trace planos concretos e realistas para lá chegar. No seu dia-a-dia, procure aplicar uma linguagem tão positiva e optimista quanto possível.

 

 

Investir nestas dimensões da nossa vida, com as sugestões apresentadas ou outras similares, fará de nós pessoas mais resilientes e, com certeza, mais fortalecidas para fazer face a todas as adversidades que enfrentamos e desafios que ainda nos esperam.

70
PERCPECTIVA
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ACEITAÇÃO
100
CUIDADO
Rita Fonseca de Castro - The Minimal Magazine
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